Este ano o World Press Photo é nos trazido pela Galp, a Visão e a Câmara Municipal de Lisboa de 27 de abril a 20 de maio (de quinta a domingo das 10h às 18h), num dos charmosos pavilhões do Hub Criativo do Beato (atenção, entrada pela Travessa do Grilo). Foi no passado sábado que a visitei, e embora ache que a edição deste ano não seja do mais memorável do ponto de vista fotográfico, vale sempre a pena pelas histórias que aprendemos e que muitas vezes é da única forma que estas histórias nos chegam aos ouvidos.

Das mais impactantes são uma história dos Camarões, em que as raparigas locais praticam o “breast ironing”, que involve pressionar os seios, seja com as mãos, cintos ou pedras quentes, para que estes não se desenvolvam. Esta é uma prática tradicional, levada a cabo normalmente pelas mães das raparigas, pela crença que com o atraso da maturidade das raparigas previnem abusos sexuais, fotografado pelo egípcio Heba Khamis. Algo que eu também não sabia é que a Holanda, esse pequeno país, é o 2º exportador mundial de alimentos do mundo, depois dos Estados Unidos, 270 vezes maior em área, reportagem trazida pelo italiano Luca Locatelli! Outra coisa que não sabia que existia era o Síndrome da Resignação, aparentemente exclusivo a refugiados na Suécia. A fotografia é de duas irmãs, refugiadas do Kosovo, que estão numa espécie de coma há vários anos, registadas pelo sueco Magnus Wennman. Outra coisa que eu desconhecia era a Maratona das Areias, uma corrida de 250km, no Sahara, dividida por sete dias, em que os atletas têm de levar tudo às costas, sob 50ºC!!! A fotografia é do francês Erik Sampers. Outra coisa que o fotógrafo norte-americano Ryan Kelly me ensinou é a facilidade que é perder sapatos num atropelamento massivo, neste caso no de Charlottesville na Virginia. Das mais impactantes e ao mesmo tempo das minhas fotografias favoritas da exposição é a do venezuelano Ronaldo Schemidt, de um rapaz a correr em chamas, depois de uma moto explodir ao pé dele, durante mais um dos protestos em Caracas.

Já as minhas fotografias favoritas são a do sueco Roger Turesson na maratona de Pyongyang. Também gostei muito da fotografia do espanhol Daniel Beltrá, uma foto linda de um bando de ibises vermelhos, numa triste história que é a desflorestação da Amazónia. Uma fotografia do irlandês Ivor Prickett que prendeu o meu olhar foi de uma fila de sobreviventes à espera de comida e água, durante a batalha de Mosul. A luz e a cara da rapariga, abraçada à mãe, impressionante! Sem dúvida a minha preferida é a fotografia do chinês Li Huaifeng, de dois irmãos na sua tradicional yaodong (casa caverna). Toda a fotografia é linda, a luz, a composição, as cores!

Para verem as fotografias todas podem ir ao Hub Criativo do Beato ou vê-las aqui: https://www.worldpressphoto.org/collection/photo/2018/world-press-photo-year-nominee

Outra exposição que podem visitar no mesmo espaço é a de um projecto documental sobre as pessoas que geram a energia da Galp, também esta interessante.
Fui acompanhada da minha mãe ciclista e fui neste dia porque às 16h houve uma conversa sobre Fotografia de Viagem com Joel Santos, bastante interessante! Todos os sábados há conversas e rallies fotográficos (estes últimos para um máximo de 20 participantes cada, já não cheguei a tempo, tudo grátis). Saibam mais em visao.pt