Nos últimos dois meses estive a trabalhar como guia turística para a Tugatrips. Neste ano atípico, em que o turismo quase parou devido à pandemia, o tour que era mais vendido era o de Sintra, Cabo da Roca e Cascais, com visita ao Palácio da Pena, palácio que visitei mais de 30 vezes entre Setembro e Outubro. Quando soube que o meu contrato não iria ser renovado e que teria de devolver o meu livre-trânsito dos Parques de Sintra e da Quinta da Regaleira, decidi que teria de aproveitar para visitar todos os parques, palácios, castelos e conventos incluídos neste bilhete, antes de o entregar. Todos os espaços, excepto o Palácio de Queluz, integram a Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade em 1995. Aqui fica o meu “resumo” dos vários espaços que se podem visitar em Sintra:

Palácio da Pena

Este palácio, num dos pontos mais altos da Serra de Sintra, visível de todos os lados, quando a serra não está coberta pelas habituais nuvens, é um dos monumentos mais visitados de Portugal.

A história deste lugar mágico começa no século XII, altura em que ali existia uma capela dedicada a Nossa Senhora da Pena. Neste mesmo local, D. Manuel I mandou edificar, no século XVI, o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, entregue à Ordem de São Jerónimo. O terramoto que atingiu Lisboa em 1755 deixou o mosteiro praticamente em ruínas. Ainda assim o Mosteiro manteve a sua atividade até 1834, quando se deu a extinção das ordens religiosas em Portugal, e foi deixado ao abandono.

Dois anos mais tarde a rainha D. Maria II casa-se com Ferdinand de Saxe-Coburgo e Gotha, um príncipe alemão mais tarde conhecido por Fernando II, rei-consorte de Portugal. D. Fernando foi um dos homens mais cultos de Portugal, durante o século XIX. Poliglota, teve uma cuidada educação e durante toda a vida teve uma grande ligação às artes, enquanto autor, colecionador e mecenas, tendo ficado conhecido como Rei-Artista. Pouco depois da sua chegada a Portugal apaixonou-se por Sintra, e adquiriu, com a sua fortuna pessoal, o Mosteiro de São Jerónimo, em ruínas, bem como toda a mata que o envolvia (hoje o Parque da Pena). O projeto inicial seria, apenas, a recuperação do mosteiro para residência de verão da família real (hoje em dia pintado de vermelho), mas o seu entusiasmo levou-o a decidir-se pela construção de um palácio (pintado de amarelo e coberto por azulejos em parte), prolongando a construção pré-existente, sob a direção do Barão de Eschwege, para recepção de visitas, criando o expoente máximo do Romantismo em Portugal. O palácio incorpora referências arquitetónicas de influência manuelina, medieval e mourisca que produzem um surpreendente cenário.

O Palácio foi construído como presente para D. Maria, mas esta morreu no parto do seu 11º filho, sem nunca ver a obra terminada. D. Fernando volta a casar mais tarde e é com a segunda mulher, a Condessa d’Edla, que passa temporadas no palácio e a quem deixa a propriedade em testamento, facto que não agradou à Coroa Portuguesa. Depois de algumas disputas legais o palácio é comprado pelo estado. A segunda fase de ocupação da Pena pela Família Real é  do rei D. Carlos I, neto de D. Fernando, e da rainha D. Amélia de Orleães. Estes monarcas irão habitar o palácio durante parte da época de verão e o Palácio está actualmente decorado como estes o deixaram, à data do seu exílio para Inglaterra, quando a República foi proclamada em Portugal, em 1910.

Nos interiores encontramos belíssimas divisões, ricamente decoradas, como é o caso do claustro manuelino com azulejos hispano-mouriscos; a Sala de Jantar, adaptada do antigo refeitório monástico; o quarto de D. Amélia com vista para o Castelo dos Mouros; a Sala Árabe com paredes pintadas em tromp-l’oeil; a Sala de Fumo; o Salão Nobre com as suas poltronas com rodinhas; a Sala dos Veados onde se faziam os banquetes; ou a pequena capela que resistiu ao terramoto. No exterior, destaque para a Porta Monumental, em estilo manuelino; o Terraço do Tritão, que recebia as visitas; o Pátio dos Arcos, com vistas belíssimas para a Serra de Sintra e para o Atlântico; o Caminho de Ronda; e o Terraço da Rainha onde se pode ver um relógio de sol, com um pequeno canhão, que disparava todos os dias ao meio dia solar, para que a rainha soubesse que era hora de almoço!

Opinião pessoal: Sem dúvida o mais colorido palácio português. Se só se tem tempo para visitar um palácio em Sintra, talvez este seja a escolha mais acertada. Apesar de ter interiores muito bonitos, não são os mais bonitos dos vários palácios de Sintra, pelo que se se quiser visitar mais que um palácio e poupar dinheiro, eu saltava os interiores da Pena para visitar antes os do Palácio da Vila ou de Monserrate. Vale também muito a pena perder-se pelo parque da pena, especialmente fazer a visita ao Chalet da Condessa.

Preço: 14€ (Palácio da Pena – inclui o interior – e Parque) ou 7,5€ (Palácio da Pena – não inclui o interior – e Parque) Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto. Há ainda um shuttle que custa 3€ por pessoa, todo o dia, para se mover dentro do parque.

Horário: Todos os dias das 9h30 às 18h30 (o parque abre meia hora antes e fecha meia hora depois)

Parque da Pena e Chalet da Condessa

Todo o palácio romântico tem de ter um jardim e este tem 85 hectares de espaços verdes circundantes. Aliando a busca do exotismo à impetuosidade da natureza, o rei desenhou caminhos sinuosos que conduzem o visitante à descoberta de locais de referência como o Templo das Colunas, a Fonte dos Passarinhos e o Vale dos Lagos; ou de onde se desfrutam vistas notáveis, como a Cruz Alta (o ponto mais alto da serra, a 529m de altitude) ou o Alto do Chá. Ao longo dos caminhos, com o seu interesse colecionista, o rei plantou mais de 200 espécies nativas de todos os continentes, que fazem com que o Parque da Pena se traduza no mais importante arboreto existente em Portugal.

Após a morte de D. Maria II, em 1853, D. Fernando volta a casar com Elise Hensler, cantora de ópera suíça, mais tarde conhecida por Condessa d´Edla. Juntos desenharam e construíram o Chalet da Condessa, situado na ponta ocidental do parque, a cerca de meia hora a pé do Palácio, que serviu como local de recreio e refúgio romântico do casal. É uma construção de dois pisos com forte carga cénica, de inspiração alpina e decoração em cortiça. Após o processo judicial que tinha como objetivo que os bens deixados por D. Fernando à Condessa passassem para a Coroa portuguesa, Elise acaba por vender o Parque e Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros ao Estado, ficando com usufruto do chalet e do respetivo jardim até 1904.

Em 1999, o Chalet da Condessa d’Edla foi consumido por um incêndio, tendo reaberto ao público em 2011, depois de quatro anos de obras de recuperação em que a Parques de Sintra levou a cabo a reconstrução deste edifício de grande valor cultural, histórico e artístico. O projeto foi distinguido em 2013 com o Prémio União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra, na categoria de Conservação.

Dentro do Parque encontramos também a Quinta da Pena. Aqui, os visitantes podem visitar as cavalariças e partir para passeios a cavalo pelo Parque. Em torno da Abegoaria situam-se os cercados com animais de quinta – coelhos, cabras e ovelhas, e um prado com espaços de repouso e de piquenique.

Opinião pessoal: Não são os jardins mais bonitos de Sintra – os jardins da Quinta da Regaleira ou os de Monserrate metem o Parque da Pena a um canto – mas são os maiores e mais diversos. Desde a Quinta da Pena com os seus animais, ao imperdível Chalet da Condessa, é um parque que vale a pena a visita.

Preço: 7,5€ (inclui a entrada no Chalet e a visita ao exterior do Palácio da Pena). Se também se quiser entrar no Palácio o preço passa a 14€. Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto. Há ainda um shuttle que custa 3€ por pessoa, todo o dia, para se mover dentro do parque.

Horário: Todos os dias das 9h00 às 19h00 (O Chalet fecha às 18h)

Palácio Nacional de Sintra ou Palácio da Vila

No centro da vila de Sintra, marcando a paisagem com a silhueta inconfundível das duas chaminés cónicas que coroam a cozinha real, ergue-se o único palácio que atravessou toda a história de Portugal. O Paço de Sintra é pela primeira vez referido por Al-Bakrî, geógrafo árabe do século X, juntamente com o castelo que lhe faz face no alto da serra, hoje denominado Castelo dos Mouros. Em 1147, na sequência da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, dá-se a rendição dos almorávidas de Sintra, pondo fim a mais de três séculos de domínio muçulmano.

Praticamente todos os reis e rainhas de Portugal habitaram o Palácio Nacional de Sintra por períodos mais ou menos prolongados, aqui deixando a sua marca e a memória das suas vivências. Ao longo do tempo, foi tomando diferentes formas e incorporando as tendências artísticas das várias épocas, resultado essencialmente das campanhas de obras promovidas nos reinados de D. Dinis, D. João I, D. Manuel I e D. João III.

O Palácio, a vila de Sintra e o seu território foram concedidos à Rainha Santa Isabel em 1287 pelo rei D. Dinis. A propriedade continuava a ser da coroa, mas a rainha era a beneficiária dos seus proventos económicos. Um século mais tarde, a entrega de Sintra às rainhas tornou-se prática constante. Ao receber a vila e os seus paços, as rainhas de Portugal eram senhoras de todo um vasto património que lhes permitia manter uma Casa, ou seja, um elevado número de pessoas que dela dependiam.

Durante o reinado de D. João I (1356-1433), o palácio foi alvo de intervenções bastante significativas. Aquele que era paço da rainha D. Filipa de Lencastre foi tornando-se também num paço preferido do rei, que aqui quis, através da opulência de novas salas, afirmar o seu estatuto de fundador da nova dinastia de Avis, como é o caso da Sala dos Cisnes. Durante o século XV, a presença do rei no palácio tornou-se mais frequente. A caça foi um dos principais atrativos para a deslocação da corte a Sintra. Outra razão foi a afirmação de Lisboa como centro da progressiva burocratização do governo do reino, o que levou a corte a circunscrever as suas deslocações a um raio cada vez menor em torno da principal cidade portuguesa.

Com D. Manuel I (1469-1521), o Palácio recebeu os elementos decorativos que ainda hoje constituem a sua marca distintiva, nomeadamente, os revestimentos azulejares hispano-mouriscos. Acrescentou a imponente Sala dos Brasões, cuja cúpula ostenta as armas de D. Manuel, de seus filhos e de setenta e duas das mais importantes famílias da nobreza.

No século XVII, viveram-se tempos sombrios nesta residência real. Depois de seis anos de desterro em Angra do Heroísmo, para onde tinha sido afastado pelo irmão, que o considerava incapaz de governar, D. Afonso VI vem para o Palácio de Sintra. Ali ficou encarcerado, no quarto que ainda hoje tem o seu nome, desde 1674 até ao momento da sua morte, que ocorreu nove longos e penosos anos depois.

A revolução de 1910 vem pôr um fim abrupto à utilização do Paço de Sintra como residência real, sendo a Rainha D. Maria Pia, viúva do Rei D. Luís, a última monarca a habitar o Palácio, do qual partiu para o exílio. Nesse mesmo ano, o Palácio Nacional de Sintra foi declarado Monumento Nacional.

Opinião pessoal: dos Palácios de Sintra que mais gozo me deu visitar. As diferentes salas iniciais, da ala joanina, com tectos ricamente decorados, como é exemplo a Sala dos Cisnes e das Pegas, deixaram-me de queixo caído. Também na Sala dos Brasões, onde figura o brasão da família Sousa (a minha), passei vários minutos a estudar cada detalhe e cada nome! A capela em estilo mudejar é algo imperdível e a presença constante das duas gigantes chaminés, com 33 m de altura, pelos vários pátios recordam-nos sempre onde estamos. Sem dúvida um palácio a visitar!

Preço: 10€ (o acesso aos jardins é gratuito). Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto.

Horário: Todos os dias das 9h30 às 18h30

Quinta da Regaleira

Situada no termo do centro histórico da Vila de Sintra, a história da Quinta da Regaleira como a conhecemos hoje tem início em 1892, quando os domínios românticos outrora pertencentes à Viscondessa da Regaleira, que dá o nome à quinta, foram adquiridos e ampliados por António Augusto Carvalho Monteiro, detentor de uma fortuna prodigiosa, que lhe valeu a alcunha de Monteiro dos Milhões.

Pelo traço do arquitecto e cenógrafo italiano Luigi Manini, dá à quinta de 4 hectares, o palácio e a capela, rodeados de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, pelos antigos Templários escondidos sob o novo nome da Ordem de Cristo e pelos Rosa-cruz. O espaço é modelado em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina. A maior parte da construção actual da Quinta teve início em 1904 e estava terminada em 1910, os anos derradeiros da monarquia portuguesa.

Um dos lugares a visitar na quinta é o Poço Iniciático, uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se desce até ao fundo do poço. A escadaria é constituída por nove patamares separados por lanços de 15 degraus cada um, invocando referências à Divina Comédia de Dante e que podem representar os nove círculos do Inferno, do Paraíso, ou do Purgatório. O poço diz-se iniciático porque se acredita que era usado em rituais de iniciação à maçonaria. A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde esta voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento. O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da Quinta, como a Entrada dos Guardiães, o Lago da Cascata ou o Poço Imperfeito.

No interior do palácio encontramos diversas salas ricamente decoradas, como a Sala da Caça, a Sala Renascentista ou a Sala dos Reis. Este é o único palácio que não é explorado pelos Parques de Sintra.

Opinião pessoal: Sem dúvida um dos palácios a visitar em Sintra por todo o misticismo que o acompanha. O interior do palácio em si é bonito, mas pequeno, valendo mais a pena despender algum tempo a explorar os jardins, poços, grutas e lagos espalhados pela propriedade. O facto de se encontrar tão perto do centro da vila, tornam-no também num dos palácios mais fáceis de aceder, mesmo de transportes públicos.

Preço: 10€. O bilhete pode ser comprado aqui.

Horário: Todos os dias das 10h às 18h30

Parque e Palácio de Monserrate

A história de Monserrate e a origem do seu nome começa em 1540, altura em que Frei Gaspar Preto aqui mandou edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora de Monserrate, após uma viagem pela Península Ibérica, em que se maravilhou com o ermitério de Montserrat da Catalunha, perto de Barcelona. A propriedade pertencia então ao Hospital de Todos os Santos de Lisboa, de que Frei Gaspar Preto era reitor, e era usado como um local de culto e de produção agrícola, que se destinava ao consumo no Hospital.

No século XVIII a quinta de Monserrate é aforada, adquirida e arrendada por diversas entidades, destruída pelo terramoto, restaurada pelo escritor inglês William Beckford até ser novamente abandonada. Mesmo em estado de declínio, o local atraía inúmeros viajantes estrangeiros, sobretudo ingleses, como Lord Byron, um ilustre poeta com um vínculo inabalável ao movimento Romântico, que expressou o seu amor a Monserrate no poema “Childe Harold’s Pilgrimage”.

É, então, em 1846, depois de tantos proprietários, histórias, recuperações e abandonos, que Sir Francis Cook, um comerciante inglês e colecionador de arte, se torna o proprietário da Quinta de Monserrate. Ali manda edificar um palácio, desenhado por James Knowles, que combina influências góticas, indianas e sugestões mouriscas. Destaca-se o Átrio Central, octogonal, as galerias, que ligam as várias salas do palácio, a biblioteca e a sala de música. Os motivos exóticos e vegetalistas da decoração interior prolongam-se harmoniosamente no exterior, que também foi reformulado e transformado num dos mais belos jardins botânicos portugueses.

Constituindo uma das mais notáveis criações paisagísticas do Romantismo em Portugal, os 33 hectares do Parque de Monserrate receberam espécies vindas de todo o mundo, que foram organizadas por áreas geográficas, refletindo as diversas origens das plantas e compondo cenários ao longo de caminhos, por entre ruínas, recantos, lagos e cascatas. Assim encontramos o Jardim do México, o Jardim do Japão, um roseiral com mais de 200 variedades de rosas e ainda uma falsa ruína de uma capela. Destaque também para o grande relvado em frente ao palácio, o primeiro relvado plantado em Portugal, apresentando uma extensão notável e uma superfície de dupla curvatura singular que exigiu um criativo sistema de rega. Neste cenário paradisíaco, eram passadas as férias de verão da família Cook e organizadas grandes festas.

Os Cook compram também 13 quintas confinantes (para receber os amigos) e ainda o Convento dos Capuchos tornando-se proprietários e empregadores de peso nas terras circundantes, muito à semelhança do que acontecia nas casas de campo inglesas. Em virtude do trabalho e esforços que Francis Cook havia empregue na reconstrução da quinta, assim como a construção de duas escolas primárias (para os filhos do seu pessoal) em Galamares e Colares, casas e até um teatro, o rei D. Luís I concede-lhe o título de Visconde de Monserrate.

A propriedade ficará na posse da família Cook até 1947 quando Sir Herbert Cook é obrigado a vender a quinta depois da família ter perdido grande parte da fortuna na primeira metade do século XX. Nesta venda perde-se o valioso recheio do palácio que se irá dispersar aquando do leilão. Dois anos depois o Governo Português adquire o palácio e os 143 hectares da Tapada de Monserrate.

Opinião pessoal: O palácio de Monserrate, apesar de ter um jardim belíssimo, vale mesmo a pena pelo edifício em si, dos mais bonitos que encontramos em Portugal. Assim, tudo o que há para ver por lá é bom! Muito mais interessante que a Quinta da Regaleira, com que podemos comparar precisamente por ser um palácio e um jardim, peca por não ser tão facilmente acessível, quando se vai de transportes públicos.

Preço: 8€. Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto.

Horário: Todos os dias das 9h30 às 18h30 (o parque abre 30min antes e fecha 30min depois)

Castelo dos Mouros

Com vista privilegiada sobre a Costa Atlântica, as várzeas e a Serra de Sintra, o Castelo dos Mouros, de fundação muçulmana, foi construído no século VIII e ocupou uma posição estratégica fundamental na defesa do território local e dos acessos marítimos à cidade de Lisboa. Os mouros ali habitaram até 1147, altura em que Sintra foi entregue a D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, na sequência da conquista das cidades de Lisboa e Santarém. Estrategicamente e por forma a defender o território, a gestão da vila de Sintra e do seu termo foi doada a Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, em 1154.

Com a fixação das populações cristãs no Castelo dos Mouros, o Bairro Islâmico foi desaparecendo e deu lugar a uma vila medieval, cuja ocupação se estendeu até ao século XV, altura a partir da qual foi sendo progressivamente abandonada uma vez que, pacificados os conflitos entre mouros e cristãos, as populações já não necessitavam de se abrigar junto da fortificação.

Já no século XIX, de acordo com o espírito romântico da época, D. Fernando II levou a cabo obras de restauro no castelo, reavivando o imaginário medieval que envolve o local. Estas obras danificaram parte da necrópole cristã da Igreja e, por esse motivo, foi mandado construir um túmulo para sepultar as ossadas encontradas. Por não se saber se se tratavam de restos humanos cristãos ou muçulmanos, nela pode ler-se: “O que o homem juntou, só Deus poderá separar”.

O castelo tem sido objeto de escavações arqueológicas desde 1976, o que permitiu inúmeras descobertas sobre a história do local e dos seus habitantes, que podem ser estudadas no Centro de Interpretação do Castelo dos Mouros, instalado nas ruínas da Igreja de São Pedro de Canaferrim. Este conta a história dos povos que ali se sucederam e complementaram, desde o Neolítico até à Idade Média, através de achados arqueológicos e de múltiplas ferramentas interativas. Encontra-se antes da entrada do Castelo, logo é grátis a sua visita.

Opinião pessoal: Não passa de um castelo medieval, com as suas muralhas e a alcáçova. O que torna este castelo especial são as vistas, tanto para a vila de Sintra e o seu Palácio Nacional, como para o Palácio da Pena e toda a serra de Sintra. É dos únicos lugares de onde se podem avistar os dois palácios e só por isso já vale a pena!

Preço: 8€. Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto.

Horário: Todos os dias das 9h às 18h30.

Convento dos Capuchos

Situado em plena Serra de Sintra, o Convento dos Capuchos contrasta com os edifícios faustosos e exuberantes que existem nas redondezas. Este convento franciscano destaca-se pela sua simplicidade, completamente desprovido de luxo e de conforto. A construção desta casa conventual foi promovida, em 1560, por D. Álvaro de Castro, conselheiro de estado do rei D. Sebastião, em resultado de um voto que fez a seu pai, D. João de Castro, que sonhou construir naquele local um templo despojado, dedicado às práticas da contemplação e da introspeção. Este convento, em que a cortiça foi abundantemente utilizada nos revestimentos e na decoração, recebeu o nome de Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra mas é também conhecido como Convento da Cortiça. A construção materializa a filosofia e os ideais da Ordem de S. Francisco de Assis: a procura do aperfeiçoamento espiritual através do afastamento do mundo e da renúncia aos prazeres associados à vida terrena. O bosque que rodeia o edifício foi mantida intacta pelos frades que ali habitaram, sendo hoje um dos mais notáveis exemplos da floresta primitiva de Sintra.

Em 1581 Filipe I de Portugal (II de Espanha) visitou o convento, proferindo uma afirmação que ficou célebre: “Em todo o meu reino, duas coisas tenho que muito me apraz: o Escorial, por ser tão rico, e o Convento de Santa Cruz, por ser tão pobre”.

Durante cerca de 250 anos, o convento permaneceu um local de culto e de peregrinação, habitado por frades franciscanos que a população local considerava “homens santos”. Um dos frades notáveis da história desta casa foi Frei Honório que, de acordo com a lenda, passou as últimas décadas da sua vida isolado, a pão e água, numa pequena gruta na mata do convento, após ter caído em tentação (gruta essa que visitei e que não percebo como alguém poderia caber ali, muito menos viver). Em 1834, após a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, o convento é deixado ao abandono, sendo posteriormente comprado pelo 2º conde de Penamacor, que, em 1873, vendeu a propriedade ao 1º Visconde de Monserrate, Francis Cook. O monumento é adquirido pelo Estado português apenas em 1949, altura em que a degradação do convento é cada vez mais visível e difícil de travar. Por esta altura, são realizadas algumas obras no local, mas só em 2013 é que a Parques de Sintra recuperou o convento para o modo em que o encontramos hoje.

Opinião pessoal: Este era o único espaço que eu nunca tinha visitado anteriormente e fiquei impressionada com a dificuldade que seria chegar até ali em tempos passados, com o tamanho mínimo dos espaços no convento, especialmente a altura das portas e com toda a decoração em cortiça. É um lugar de introspecção e calma, que gostei bastante de visitar!

Preço: 7€. Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto.

Horário: Todos os dias das 9h às 18h.

Palácio Nacional de Queluz

O Palácio de Queluz, conhecido como o Versailles português foi um palácio real para três gerações de monarcas e reflete a evolução dos gostos e estilos da época, passando pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo.

Em 1654, D. João IV cria a Casa do Infantado, que inclui a Casa de Campo de Queluz, mandada construir pelo primeiro Marquês de Castelo Rodrigo, D. Cristóvão de Moura, e confiscada após a Restauração da Independência, em 1640. Em 1747, o Infante D. Pedro encarrega o arquiteto Mateus de Vicente de Oliveira de ampliar o chamado “Paço Velho”. Anos mais tarde, em 1760, o anúncio do casamento de D. Pedro com a herdeira do trono, a princesa D. Maria, motiva obras mais profundas, que visam conferir à propriedade a envergadura de Palácio Real. Nesta fase, os trabalhos ficam a cargo do arquiteto e ourives Jean-Baptiste Robillion. Alheio à política e às intrigas da coroa e possuidor de uma considerável fortuna e de hábitos requintados, D Pedro III dedica a sua atenção a este local, transformando-o num espaço de lazer e entretenimento da Família Real e recheando-o de salas de aparato, como a Sala do Trono ou a Sala dos Embaixadores, .

Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, em 1794, onde a Família Real vivia em permanência desde o terramoto de 1755, o Palácio de Queluz torna-se residência oficial da rainha D. Maria I – que entretanto enviuvara – e, posteriormente, dos príncipes regentes D. João VI e D. Carlota Joaquina, o que exigiu a adaptação de alguns espaços interiores e a construção de novos edifícios para acomodar a Corte, a Guarda e a criadagem. Queluz passou, assim, a ser o local onde a Corte ia para desfrutar de momentos de lazer, assistir a serenatas, cavalhadas e espetáculos de fogo-preso.

O palácio é habitado em permanência até à partida da Família Real para o Brasil, aquando das invasões francesas, em 1807. Em 1821, D. João VI regressa a Portugal, mas o palácio só volta a ser habitado, em regime de semiexílio, pela rainha D. Carlota Joaquina, acusada de conspirar contra o marido. A geração seguinte, marcada pela Guerra Civil que opôs os irmãos D. Miguel, absolutista, e D. Pedro IV, liberal, encerrou a vivência real do Palácio de Queluz. D. Miguel habitou o palácio, enquanto rei, durante o período sangrento da guerra. D. Pedro vence a guerra, mas, por se encontrar doente, abdica do trono de Portugal a favor da sua jovem filha, D. Maria II. É no Palácio de Queluz, no quarto D. Quixote, onde nasceu, que D. Pedro IV acaba por morrer, aos 35 anos.

Os jardins do palácio, delineados em buxo em estilo francês, levam-nos de atracção em atracção. Temos o Canal dos Azulejos, onde a Família Real e a corte se passeavam de gôndola sobre as águas tranquilas (represadas por um sistema de comportas), apreciando as paisagens fantasiosas dos grandes painéis de azulejos, o Jardim das Estufas, espaço onde no reinado de D. Pedro III se plantavam ananases, um dos frutos mais apreciados pela família real ou a Cascata Grande, um elemento comum a muitos jardins desta época, constituindo a parte mais espetacular de todo o sistema de lagos e jogos de água.

A partir de 1957, o Pavilhão D. Maria I, ala nascente deste palácio, passou a ter funções de residência dos Chefes de Estado estrangeiros em visita oficial a Portugal. Desde 1979, a Escola Portuguesa de Arte Equestre, com a finalidade de promover o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa, é sediada nos jardins do palácio.

Opinião pessoal: Apesar de lindíssimo, sinto que o Palácio de Queluz é “mais um palácio europeu”, não se destacando como os outros espaços em Sintra, muito mais originais. Os jardins destacam-se no aspecto paisagístico, mas continuo a preferir a “desorganização” da serra de Sintra.

Preço: 10€ (Palácio e Jardins) ou 5€ (apenas jardins). Se o bilhete for comprado online, tem-se 5% de desconto.

Horário: Todos os dias das 9h às 18h (os jardins fecham 30min depois).

Espero que tenham gostado deste post e que vos tenha sido útil para decidir qual o próximo monumento a visitar em Sintra!