A Mafalda tem 23 anos e adora o nosso país mais que tudo. Mas cedo percebeu que o mundo e a vida que desejava incluíam muito mais do que o que ela tinha em Lisboa. Ela sempre teve o sonho de viajar, de aprender coisas diferentes e, especialmente, de viver no estrangeiro e ter a sua independência. Neste sentido, há dois anos ela candidatou-se a um mestrado em Aalborg, no norte da Dinamarca. Não foi o mestrado em si que a fez decidir ir, mas o facto da Dinamarca oferecer um dos melhores sistemas de educação do mundo e grátis. Esta é a sua perspectiva sobre Aalborg:

Que expectativas tinhas de Aalborg e da Dinamarca antes de chegar?

Antes de vir para Aalborg eu tinha medo. Apesar de tudo era a primeira vez que ia viver sozinha, sem ter ninguém que cozinhasse, que tratasse de tudo. Eu estava super entusiasmada com o novo desafio, mas o medo do desconhecido era aterrador. Eu vim para Aalborg sem conhecer ninguém, apesar de já ter um quarto numa casa alugada, que ia partilhar com mais cinco raparigas.

Eu tinha várias expectativas. Eu nem conhecia Aalborg antes de me candidatar, por isso imaginei que ia para uma cidade mesmo pequeno e, para alguém que viveu toda a sua vida em Lisboa, isso podia ser assustador. Também pensei nas pessoas e no que se costuma dizer em Portugal sobre a “mentalidade nórdica” e como todos são frios e infelizes. E finalmente, porque eu adoro a praia e o sol, estava aterrorizada com o tempo. Eu nem podia pensar como seria o facto dos dias serem curtos e frios.

Do que mais gostaste e do que menos gostaste em Aalborg?

Depois de cá estar um ano e meio creio que o Inverno é de facto extremamente frio, comparando com Lisboa. Temperaturas negativas são algo com que se tem de lidar em Aalborg. Agora rio dos meus amigos que dizem que está frio em Lisboa. Eles não têm ideia do que é verdadeiramente o frio. Mas há também aspectos positivos nisso. A neve é mágica e linda e eu adoro quando neva! Como ponto negativo, os preços são muito altos por aqui. Ir ao supermercado é uma loucura, comparando com os preços praticados em Portugal e na maioria dos países onde já estive. Por exemplo, se quisermos comprar queijo (de marca branca) pode custar 5€ por 20 fatias. Para mais a comida em si não tem muito sabor. Por exemplo a fruta e os vegetais não sabem a muito e também não é fácil encontrar peixe fresco aqui. É também caríssimo jantar fora (custa entre 25-50€ por pessoa) e também sair à noite (num bar uma cerveja pode custar 4€) ou ir ao cinema (16€). Claro que isto é porque aqui os salários são muito mais altos, mas para estudantes estes preços são bastante elevados. Os estudantes optam por beber em casa, antes de sair à noite, uma vez que comprar bebidas no supermercado é muito mais aceitável.

Mas porque também há coisas positivas sobre a Dinamarca, tenho de vos contar como é mágico no Verão, quando os dias têm 20 horas. É maravilhoso como também não há noite, só luz, o dia todo! Se vierem à Dinamarca no Inverno, lembrem-se de acordar bastante cedo para que possam aproveitar as poucas horas de sol porque se não poderão ficar deprimidos. Eu creio que isso é algo muito comum para os sul europeus, quando vêm viver para um país onde quase não há luz.

O que pensas sobre os Dinamarqueses?

Os dinamarqueses são extremamente atentos e simpáticos, nada do que eu imaginava. Digo, à primeira vista eles realmente parecem frios e infelizes e todos estão na sua própria vida, sem querer saber dos demais. Mas no segundo em que se pede uma indicação, eles respondem com o maior sorriso que têm. E o inglês deles é espectacular! Posso dizer que crianças de 10 anos falam melhor inglês do que eu, é impressionante!

Se as pessoas forem a Aalborg o que sugeres visitar?

Aalborg é uma cidade pequena, mas por isso amorosa! Quando saio, é quase certo que vou encontrar alguém que conheço, na rua. Se vierem a Aalborg há alguns sítios que recomendo. Para começar, é espectacular ir ao fjord (lago), mesmo no centro, e sentar-nos por lá a apreciar, talvez ao mesmo tempo que tomamos um copo, de algo comprado no supermercado, para poupar algum dinheiro. Também devem ir ao music tree park! Este é um parque fantástico, com muitas árvores, e cada árvore tem umas colunas a representar um artista e quando se carrega no botão, estas estão carregadas com música. Para mim é com certeza um dos melhores sítios em Aalborg, especialmente por ser tão único. Depois, do outro lado do fjord devem também visitar o cemitério Viking. É um lugar calmo onde os Vikings viviam e onde eram enterrados e é bastante pacifico e bonito de se ver.

Á parte disso, Aalborg tem alguns museus que podem ser interessantes e tem uma boa vida nocturna. Basicamente há esta rua chamada Jomfru que tem bares por todo o lado e é um óptimo local para dançar. Se tiverem a oportunidade de escolher a altura em que vêem, Eu recomento o final de Maio (27) pelo fabuloso Carnaval de Aalborg, onde se encontram montes de pessoas de todo o mundo para celebrar o Carnaval. É um dia inteiro de paradas e festa sem parar! Outra coisa fantástica que devem fazer, para viver como um dinamarquês, é ir aos parques, em dias quentes, levar um biquini e um livro e fingir que estamos na praia!
Onde nos sugeres comer em Aalborg?

Em termos de restaurantes eu diria que são todos demasiado caros, mas podem experimentar o Vaca, de comida mexicana, ou alguns restaurantes de sushi. Ainda assim, se querem ser generosos e gastar algum dinheiro em comida, vão ao Café Ulla e peçam um hambúrguer, porque são deliciosos! Um café obrigatório para ir é de certeza o Penny Lane, mesmo no centro da cidade. É o sítio mais maravilhoso de Aalborg.

Tens algumas dicas de como poupar dinheiro?

Uma óptima oportunidade é a 5ª feira de bowling, que temos cerveja grátis durante o jogo. Há também uma coisa óptima nos países da Escandinávia, e também na Alemanha, em que todas as garrafas podem ser devolvidas, o que significa que que vamos ao supermercado e as máquinas dão-nos cerca de 2kr por lata e 6kr por garrafa de vidro. Deste modo há muitas pessoas a recolher garrafas, não se assustem!

Não se pode sair de Aalborg sem…

ver o pôr do sol no Fjord!

Obrigada Mafalda e até breve! 🙂