Este mês foi o mês de voar para um país para depois visitar outro. Primeiro voei para Copenhaga e fui para a Suécia visitar Lund e Malmö, agora voei para Helsínquia, numa estadia de dois dias, para apanhar um ferry para a Estónia e visitar a sua bonita capital, Tallinn. Pedi o voo com a minha colega e grande amiga Susana e alugámos um Airbnb por uma noite em Tallinn para que pudéssemos aproveitar a cidade ao máximo – alguns colegas vão e vêm no mesmo dia!

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O voo para lá é nocturno, chegámos ao hotel em Helsínquia às 7h da manhã, para tomar o pequeno almoço e partir logo em direcção ao terminal de cruzeiros, onde tínhamos de estar às 8h30, pois o barco saía meia hora depois – a travessia demora entre 2h-2h30, dependendo dos horários e companhias. O clima magnífico, calorzinho, fiquei em alças e até pus protector solar enquanto esperávamos que o barco partisse. Assim que se começou a mexer começou o frio e o vento e tive de vestir tudo o que tinha – levar um corta vento foi a ideia acertada.
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Ficámos logo maravilhadas com a saída de Helsínquia e o seu arquipélago com milhares de ilhas e ilhotas, negras, destacadas do mar brilhante, que reluzia o sol. Quando as ilhas acabaram decidimos dormir uma sesta de uma horinha, para que não estivéssemos todo o dia a morrer de sono e logo acordámos com a aproximação a Tallinn, também com algumas ilhas, não tão bonitas, mas com um maior entusiasmo por estar a chegar ao nosso destino!
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Saímos então do terminal de cruzeiros de Tallinn e seguimos em direcção ao centro. O primeiro destino eram os escirtórios do nosso airbnb, para verificar se já estaria pronto para deixarmos a pouca bagagem que tínhamos. Pelo caminho começámos logo a perceber que esta cidade muralhada parecia estar presa no tempo, por todo o lado indícios de arquitectura medieval, para além de várias pessoas vestidas a rigor, seja a fazer visitas guiadas ou a servir nos restaurantes. Chegámos à praça principal, por onde iríamos passar milhares de vezes, uma vez que o nosso apartamento era mesmo ali ao lado, e onde acontecia uma feira com um palco onde várias pessoas cantaram ao longo do dia.
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Deixámos então as coisas no apartamento e fomos até ao posto de informação turística onde nos assinalaram o que mais valeria a pena visitar e nos falaram dos vários free tours que aconteciam todos os dias a várias horas, plano que nos pareceu perfeito para conhecer a cidade e a sua história. Mas antes tínhamos de almoçar e fomos a um restaurante medieval, no edifício da Câmara Municipal, chamado III Drakoon, aconselhado pelo meu pai. Pedimos uma sopa (tipo goulash), duas salsichas de boi e duas tartes de maçã. Adorei a sopa e o resto da comida também era bastante saborosa. A simpatia da senhora que atendia não era a maior, parte do teatro medieval.
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Como ainda faltava um pouco para a free tour decidimos ir até uma ruela que nos tinha sido indicada pela menina do posto de informação, a Katariina Käik, bastante fotogénica. Na outra ponta da passagem encontrámos a muralha da cidade, que descobrimos que era possível subir. Nas várias torres da muralha havia exposições fotográficas. Já a vista não correspondeu às expectativas, pois pensámos que íamos estar mais altas, ver os telhados da capital estónia.
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Começámos então o free tour, que tinha uma duração de duas horas. O primeiro ponto de paragem foi nas traseiras da igreja de São Nicolau. Aprendemos que a Estónia é o país mais ateu da Europa e que essa igreja realmente já não era uma igreja. Aquela área foi bombardeada na 2ª Guerra Mundial e a igreja destruída. Os estónios pediram ajuda monetária à União Soviética para a reconstruir mas como estes não queriam participar na reconstrução de templos religiosos, a cidade decidiu então fazer um Museu do Ateísmo. Entretanto o edifício sofre um incêndio e é novamente recuperada mas antes como Museu de Arte Sacra.
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Aprendemos também que os finlandeses salvaram a cidade da destruição total. Então nesse bombardeamento em que a igreja foi destruída, quando os aviões deram a volta para reabastecer, foram destruídos pelos finlandeses e nunca puderam terminar o bombardeamento a Tallinn. Mas os finlandeses não os salvaram por aliados, mas sim para se vingar de um bombardeamento a Helsínquia – que na verdade nunca aconteceu. Reza a história que foram avisados que iria acontecer um bombardeamento nocturno à capital finlandesa, então os espertos apagaram as luzes todas da cidade e iluminaram a floresta, ao lado. Assim quando os bombardeiros chegaram, deixaram cair as bombas onde estava iluminado, achando que se tratava da cidade, e esta nunca foi destruída.
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Seguimos para o Monumento à Victória da Guerra da Independência (que na verdade teve de ser obtida duas vezes, uma em 1918 após a Revolução Russa de ’17, e que durou até 1940, quando voltou a ser ocupada pela União Soviética, e novamente em 1992, após a queda do Muro de Berlim e da URSS em ’89 e seguinte reestruturação dos países soviéticos), que se encontra na Praça da Liberdade, local de encontro em momentos políticos importantes.
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Subimos então para a parte alta da cidade, onde se encontra a Catedral de Alexandre Nevsky, uma catedral ortodoxa russa, que apesar de ser um dos símbolos da cidade, pela sua beleza arquitectónica, é um local pouco importante para os estónios, maioritariamente ateus, como referido. À frente da igreja encontra-se o Parlamento Estónio, que se encontra no edifício do antigo Castelo de Toompea, embora não se tenha essa noção desde a sua fachada frontal, fachada essa de estilo neoclássico, mas apenas desde o sopé da colina, do lado oposto à cidade. Como estávamos a fazer o tour, não pudemos entrar na catedral, pelo que voltámos no dia seguinte.
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Daí seguimos até aos vários miradouros da cidade alta, para descer e acabar o tour na praça principal. Falámos sobre a língua estónia e quão difícil é, a relação com os alemães, suecos e dinamarqueses, todos antigos ocupantes da região, a bandeira e o seu significado, entre outras coisas.
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Decidimos então descansar um pouco antes do jantar, afinal só tínhamos dormido umas 4 horas, nas últimas 36. Finalmente repousadas saímos à procura de um lugar para jantar. Sendo Tallinn tão pequeno, conseguimos quase dar a volta toda à cidade até finalmente escolhermos um lugar. Mas nesse passeio voltei a fotografar a cidade, desta vez com a bela luz de final de tarde!
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No segundo dia, depois de uma noite bem dormida, voltámos a subir à parte alta da cidade para visitar então o interior da Catedral de Alexandre Nevsky (cuja fotografia já coloquei junto às outras da catedral). No caminho encontrámos outro miradouro, junto a outra parte da muralha, que também se podia subir e percorrer.
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Tínhamos que deixar o apartamento antes do meio dia, pelo que fomos buscar as nossas coisas e depois apanhámos o tram (nº1 ou nº3) para Kadriorg para visitarmos o seu palácio e jardins. Este colorido palácio foi mandado construir por Peter, the Great para a sua mulher, Catarina, da Rússia. Infelizmente, por ser 2ªfeira, o palácio, que agora aloja um Museu de Arte, estava fechado.
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Fomos então comprar alguma coisa para almoçar e fizemos um piquenique no parque, enquanto esperávamos a hora para apanhar de novo o ferry para Helsínquia. Desta vez já fizemos o percurso todo acordadas. Animais não vimos nenhuns, só bastantes ferries em direcções às várias capitais banhadas pelo mar Báltico. Já à chegada a Helsínquia voltámos a ver as várias ilhas e ilhotas, agora com a luz a favor, que permitiram que víssemos as várias construções nas ilhas, incluindo umas cabanas coloridas que achei que fossem apenas para proteger do frio ou do vento, enquanto se estava na praia, mas que depois descobri que eram saunas, para se sair directamente para a água gelada.
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Tallinn vale muito a pena e vê-se muito bem em dois dias, recomendo!
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