São Miguel é a maior ilha do arquipélago dos Açores. Também é a mais visitada, não só pela sua incrível beleza e inúmeros lugares para ver, mas principalmente porque é a melhor conectada com o resto do mundo. Os Açores são compostos por nove ilhas vulcânicas, divididas em três grupos: o ocidental inclui Santa Maria e São Miguel; o central as ilhas da Terceira, Pico, Faial, São Jorge e Graciosa; e o Oriental, Flores e Corvo. O último grupo está numa placa tectónica diferente, a placa norte americana, enquanto que as outras sete ilhas estão na placa euroasiática. Assim, facto interessante, as ilhas das Flores e do Corvo estão a afastar-se de nós 2cm por ano.

Eu já visitei a ilha duas vezes e sempre por períodos de duas semanas (na altura namorava com um açoriano), por isso pude visitar a ilha de uma ponta à outra, visitar as lagoas mais bonitas, caminhar os melhores trilhos, nadar em todas as águas férreas, comer nos melhores restaurantes. Esta é a minha sugestão do que fazer e como organizar uma visita à ilha de uma semana. Vocês só têm de ver como está o tempo e decidir em que ordem o querem fazer 🙂

Dia 1: Ponta Delgada.

Para visitar a ilha é quase impossível não alugar um carro, por isso visitem a capital ou no primeiro ou no último dia. Ponta Delgada não é muito grande, por isso é fácil caminhar para todo o lado. Há coisas que é impossível perder, por estarem logo ali, como as Portas da Cidade, a câmara municipal, as várias igrejas e as Portas do Mar, a marina. No Campo de São Francisco há várias feiras e eventos durante o ano, por isso passem por lá para saber o que se passa. Coisas que não podem perder e que não são tão óbvias são o Jardim Botânico, as plantações de ananases e todos os graffitis e obras de arte que há pela cidade, incluindo a parede do Vhils no Arco 8.

Artwork from Vhils at Arco 8

Dia 2: Um dia no lado oeste da ilha. Sete Cidades, Ponta da Ferraria e Mosteiros.

Comecem o passeio no Miradouro da Boca do Inferno e depois vejam as Sete Cidades do Miradouro da Vista do Rei, onde poderão tirar a famosa fotografia com as duas lagoas, a verde e a azul. Aí encontram também o famoso e abandonado Hotel Monte Palace, que foi em tempos (mas não durante muito tempo) um hotel de luxo que tinha uma das melhores vistas do mundo. É proibido entrar, por não oferecer total segurança, mas toda a gente o faz. É um misto de arrepiante e lindíssimo, mas cuidado! Levem o carro até à vila, lá em baixo e caminhem um pouco ao largo das lagoas, depois de visitar a vila.

Fun fact: a cratera das Sete Cidades é maior em área que toda a ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago.

Também podem (e devem) ir até ao Miradouro da Cumeeira, do outro lado da lagoa onde a vista é tão bonita como do lado oporto, e assim ficam com um postal diferente de todas as outras pessoas. Depois desçam até à Ponta da Ferraria, um lugar no mar onde existe uma nascente de água quente, que aquece as águas antes frias. Mas atenção que a nascente é mesmo muito quente, por isso cuidado para não se aproximarem demasiado! E é grátis, é só aproveitar (também um bom lugar para ir quando o clima não está tão quente como se queria – apesar de que se estiver muito nublado é possível deixar-se de ver as Sete Cidades). Há balneários no caminho, por isso não se preocupem com isso. Depois vão até Mosteiros para ver o pôr-do-sol, antes de regressar a Ponta Delgada.

Dia 3: Caldeira Velha e Lagoa do Fogo, para mim a mais bonita!

Comecem o dia na Caldeira Velha, mas no caminho para cima, desde Ponta Delgada, parem o carro e olhem para o que está atrás de vocês! Desde aqui é possível ver todo o lado oeste da ilha! Continuem então para a piscina semi-natural de águas quentes, com uma bonita cascata atrás onde a pedra já é amarela pela quantidade de ferro que existe na água. O clima nos Açores é um pouco imprevisível, mas para mim é mais agradável visitar este lugar quando o sol não brilha, porque se tem aquele sentimento de que está frio lá fora, mas está-se tão bem dentro de água! Também aqui existem umas cabaninhas para se trocar de roupa. Quando se sentirem completamente relaxados continuem a subir até à Lagoa do Fogo, um daqueles lugares mágicos da terra, tão verde que pensamos que só podem ser filtros ou photoshop! Não a vejam só desde cima, desçam as escadas, caminhem um pouco em redor da lagoa e dêem um mergulho! Há vários trilhos nos Açores e este é o meu preferido! Caminhem em volta da Lagoa (pelo lado direito é mais curto) até chegarem a um pequeno caminho de terra batida que deixa a Lagoa e desce em direcção ao mar. Sigam-no e vão fazer o mesmo caminho que a água faz para chegar às populações e aos campos agrícolas, uma levada açoriana.  São 5,5km até Praia, ou um pouco mais até Água d’Alto, mas o caminho é sempre a descer e não é demasiado inclinado, o que se faz muito bem. O problema é ser um trajecto linear, por isso ou se volta para cima a pé, ou se tem dois carros e deixa-se um em cada ponta ou apanha-se um taxi de regresso para a Lagoa. Também não é má ideia fazer estas duas coisas pela ordem inversa, começar com a caminhada e acabar na Caldeira Velha para um bom relaxamento dos músculos doridos 🙂

Jantem no Restaurante da Associação Agrícola, perto da Ribeira Grande, onde vão comer o melhor bife da vossa vida, o famoso Bife Regional!

Dia 4: Furnas, Parque Terra Nostra, Poças da Dona Beija

O dia mais preenchido! Na zona das Furnas é onde há mais a fazer. As Furnas são conhecidas pelo seu cozido feito com energia geotérmica. Levam-se as panelas de manhã, são postas debaixo de terra a cozer e muitas horas depois está pronto a comer. Isto é perto da Lagoa. Já no centro da cidade há várias nascentes com vários tipos de água e buracos no chão onde se vê água em ebulição. Nessas “poças” são colocados sacos com maçarocas, o milho coze e pode ser comprado e comido logo ali. Também nas Furnas são vendidos os melhores Bolos Levedos, os de Rosa Quental, na Rua de San’Ana 16-A! E quentinhos ainda sabem melhor!

Nas Furnas encontra-se também o Parque Terra Nostra, onde está a maior piscina de águas férreas (levem um fato de banho que não se importem que se estrague, porque vão ficar amarelados). Os jardins são lindíssimos e aí encontram-se todas as espécies de plantas que existem na ilha. Não muito longe estão as Poças da Dona Beija. Têm de visitar os dois lugares. Embora parecidos por ambos terem piscinas quentes de águas férreas, a experiência em cada um é muito diferente. Se tiverem tempo podem ir a cada um em dias diferentes (e assim comer mais Bolos Levedos 😉 )! O segundo mistura arquitectura com as nascentes e é um dos meus lugares preferidos na ilha!

A Lagoa das Furnas não é tão impressionante com as outras duas grandes, do Fogo e das Sete Cidades, mas tem um Centro Interpretativo muito bom, desenhado pelos Aires Mateus e a caminhada até lá é também muito agradável, sempre ao largo da lagoa.

Para acabar o dia vão até ao Miradouro do Pico do Ferro onde poderão ver as Furnas desde cima!

Dia 5: Ribeira Grande, plantações de chá, Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões, Nordeste, Faial da Terra, Ribeira Quente

Comecem o passeio na Ribeira Grande, a segunda maior cidade de São Miguel. Visitem a catedral e o bonito jardim ao lado da ponte dos 8 arcos. Sigam até às plantações de chá e visitem uma delas, Porto Formoso ou Gorreana. A segunda é a mais conhecida mas talvez por isso possa ter mais gente. Este é o último sítio da Europa onde o chá ainda é produzido. Visitem as plantações, tomem uma chávena de chá, levem algum chá para casa e continuem até ao Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões onde poderão ver a enorme cascata na Achada (spoiler alert, não será a única cascata que verão neste dia!).

Apesar de haver uma povoação que se chama Nordeste, refiro-me à região em si. Este lado da ilha é o que tem as melhores praias, vistas e miradouros! Vão parando de vez em quando ao longo do percurso até chegarem ao Faial da Terra onde começa o trilho do Salto do Prego. São apenas 2,2km (ida e 2,2km volta) até chegarmos à queda de água do Salto do Prego, onde até podemos dar um mergulho! Pelo caminho passasse por casas típicas da região, muitas delas a serem recuperadas.

No caminho de regresso para Ponta Delgada parem na Ribeira Quente para comer umas lapas grelhadas noRestaurante Ponta do Garajau, o melhor da ilha!

Dia 6: Ilhéu de Vila Franca e Observação de Golfinhos e Baleias

À frente de Vila Franca do Campo há um ilhéu vulcânico cuja cratera é um círculo perfeito. As águas aí dentro são muito calmas, contrastando com o oceano mesmo ali ao lado. Há barcos que nos levam até lá todos os dias de Junho a Outubro. A Red Bull organiza uma competição de mergulhos para a água, a Red Bull Cliff Diving, onde os maiores atletas da competição saltam a enormes alturas para o mar (este ano, 2017, será a 9 de Julho). Passem uma manhã no ilhéu e à tarde voltem para Ponta Delgada, onde poderão devolver o carro alugado. Daí podem fazer um passeio de barco para observar golfinhos e baleias.  É 100% seguro que verão golfinhos, enquanto que as baleias são mais difíceis de encontrar. Todas as companhias têm pessoas em terra a observar o mar à procura de vida e quando vêem um, avisam todas as embarcações, para quem paga ter mais garantias de que vai ver alguma coisa! Na minha opinião a melhor forma de acabar uma semana em São Miguel!

Se estão interessados em visitar outras ilhas dos Açores devem saber que no âmbito da alteração do modelo de transporte aéreo nas rotas Continente – Açores e Açores – Madeira, a SATA está obrigada a disponibilizar um serviço de encaminhamento, sem encargos para o passageiro, de passageiros em viagens no interior da Região Autónoma dos Açores, com origem ou destino em Portugal Continental ou no Funchal, que pretendam utilizar nas suas deslocações qualquer das gateways dos Açores.

Exemplo: Se queremos ir ao Faial, marcamos um voo para Ponta Delgada e depois pedimos um encaminhamento para o Faial e não temos de pagar mais por isso. Mas temos de ir directamente, o máximo que podemos passar em São Miguel são 24horas. Funciona também se voarmos para Ponta Delgada com a easyJet ou a Ryanair. Mais informação, aqui.