Quando estava em Florença de Erasmus a maioria dos meus amigos italianos eram na verdade sicilianos. Então a Maria, a minha colega de casa, e eu decidimos que deveríamos visitar a ilha nas nossas férias da Páscoa. Ficámos dois dias em Palermo, apanhámos um autocarro para Taormina onde ficámos dia e meio, depois visitámos Catânia apenas pelo resto desse dia (demasiado pouco) e depois separámo-nos, uma vez que as aulas da Maria começavam mais cedo e eu fui sozinha para Agriggento por um dia e de regresso a Palermo para outros dois dias. Neste post poderão encontrar dicas do que fazer em cada lugar! Foi uma viagem super intensa de gastronomia maravilhosa e arquitectura normanda impressionante! A Sicilia é outro mundo, é completamente diferente do norte de Itália, com muita influência da vizinha África árabe, e é verdadeiramente bonita mas também bastante caótica!
 
Dia 1:
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Voámos desde Pisa para Palermo com a Ryanair e ficámos em casa da melhor amiga de uma das nossas amigas, uma vez que nenhum dos nossos amigos ia passar as férias a casa. Como chegámos super cedo a primeira coisa que fizemos foi visitar o Mercado de Vucciria  para tomar o pequeno almoço – Pane, panelle e crocchè, típica comida de rua, espectacular! É uma espécie de sandwich com uma massa de grão frita e batatas fritas (tudo dentro do pão), têm de experimentar! De manhã a Sofia, que nos estava a hospedar, acompanhou-nos pela área mais perto de casa dela. Vimos a Porta Felice, uma das pontas do Corso Vittorio Emanuelle, o “decumanus” da cidade. Vimos ainda o  golfo de Palermo, o porto de la Cala e alguns edifícios importantes como o Loggiato di San Bartolomeo e a igreja de San Domenico.
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A Sofia teve de nos deixar para ir para a universidade e nós continuámos sozinhas. A primeira paragem foi em Quattro Canti, o cruzamento do Corso Vittorio Emanuele e da Via Maqueda, o “cardus”, onde em cada canto temos uma bonita fonte. Fomos pela Via Maqueda para visitar o Teatro Massimo, o terceiro maior da Europa depois de Viena e Paris. Infelizmente não o pudemos visitar, mas um quarteirão depois há outra praça onde está o Teatro Politeama, onde aí sim pudemos entrar – na verdade foram os trabalhadores que nos acharam piada e nos deixaram entrar às escondidas 😉 A arquitectura de Palermo e da Sicilia é muito influenciada pela do norte de África, a arquitectura árabe, e é super interessante ver essa influência, não apenas porque deixamos de sentir que estamos em Itália, mas porque nos sugere vagamente o nosso Portugal e sentimo-nos um pouco em casa. Almoçámos num sítio muito típico palarmitano ao pé dos teatros, onde os locais costumam ir, mas cujo nome infelizmente não recordo. Mas se forem a Palermo e arranjarem um daqueles mapas da Use It Maps feitos por locais vão encontrar o lugar!
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À tarde fomos até à Piazza Pretoria ver a sua Fonte da Vergonha (nos guias diz que tem este nome porque é uma fonte só com estátuas de nus entre dois mosteiros… outros dizem que existia um corredor debaixo da fonte onde as freiras de um mosteiro e os frades do outro se encontravam e… :P) Do outro lado do Palazzo Pretorio encontra-se a Piazza Bellini onde está a lindíssima igreja de San Cataldo, com as suas três cúpulas vermelhas e a Igreja della Martorana. Esta é a igreja dos albanianos que vivem em Palermo e apesar de ser agora uma igreja católica, a missa tem algumas influências ortodoxas. Continuámos a caminhar, sempre à procura de cannoli, um doce espectacular siciliano que já conhecíamos da Ará, a loja siciliana de Florença, até à Porta Nuova, a outra ponta do Corso Vittorio Emanuelle. No caminho visitámos a Catedral, majestuosa no exterior e apenas bonita no interior. Cá fora, na praça da catedral está a carruagem de Santa Rosália – todos os anos a 15 de Julho há a procissão de Santa Rosália e eles mudam a carruagem, que fica na praça à espera da do próximo ano.
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Ao final do dia encontrámo-nos com a Sofia e alguns amigos dela no mercado de Ballarò, onde finalmente comemos cannoli <3 No caminho de regresso a casa visitámos a igreja de Gesù, também conhecida como Casa Professa.
Dia 2:
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Na noite anterior, quando já estávamos em casa, uma amiga de Florença escreveu-me a dizer que também estava em Palermo e que nos devíamos ver! Por sorte tínhamos os mesmos planos para o dia seguinte: ir à praia no Mondello e visitar a catedral de Monreale, uma vila na montanha, a 8km a sul de Palermo.
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Para ir para o Mondello podem apanhar o autocarro N12 na Via Cavour ao pé do Teatro Massimo e demora cerca de 40min. A praia é espectacular, um pequeno paraíso de areia branca, o imenso azul do mediterrâneo, o Montepellegrino à direita, o restaurante Charleston no meio da água! Estivemos toda a manhã na praia, a aproveitar o sol e depois caminhámos até à Piazza Mondello para almoçar – Arancini, as típicas bolas de arroz da Sicília!
Apanhámos o autocarro de volta para Palermo, caminhámos até à Porta Nuova e aí apanhámos outro autocarro para Monreale (Existem inúmeras formas de lá chegar, perguntem aos locais qual a forma mais rápida, foi o que nós fizemos – embora o autocarro nos tenha deixado um pouco longe da catedral e tivemos de subir tudo a pé). Na subida tem-se uma bonita panorâmica da Conca d’Oro, o vale onde Palermo se insere. Monreale é muito bonito, não só a sua incrível catedral com todos os detalhes, mas também as ruazinhas ao seu redor, recomendo vivamente!
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À noite fomos até à Taberna Azzurra, o lugar mais antigo do mercado de Vucciria, onde bebemos um copo de Sangue, o “Moscatel” de lá! O ambiente é também muito divertido! 🙂

Dia 3:

No terceiro dia apanhámos um autocarro para Taormina, do outro lado da ilha, cerca de 3h30 de caminho desde Palermo. Taormina é uma cidade no topo da montanha, mas muito perto da costa, sendo que há um funicular que liga a cidade com a praia, a Funivia Taormina-Mazzaró. É também possível ver o vulcão Etna desde a cidade – quando não está nublado, que foi o caso quando lá estive… Em Taormina fizemos couchsurfing e o nosso anfitrião vivia num condomínio espectacular em frente ao mar, pelo que a primeira coisa que fizemos foi dar um mergulho na “nossa praia privada”. Entretanto ficou nublado pelo que fomos passear. Começámos pela visita à Isola Bella, uma ilha ligada a terra por um banco de areia que é hoje uma Reserva Natural, quase como um jardim botânico.

Apanhámos então o funicular para a cidade e depois de atravessar a Porta Messina, dirigimo-nos aos famosos Giardini della Via Comunale, com uma bela vista para a cidade. A cidade de Taormina é caracterizada por ruas estreitas, onde dá gosto perder-se, muitas escadinhas e bonitas praças. A maior é a Piazza IX Aprile, a varanda da cidade para o mar. Um pouco mais à frente encontramos a Piazza Duomo, com a respectiva catedral, bem mais pequena do que imaginamos. Chegamos então à Porta Catania, que marca os limites da cidade histórica.

Regressámos a casa e nessa noite o nosso anfitrião, que já trabalhou como chef de cozinha, cozinhou-nos Pasta alla Norma, um prato típico da Sicília à base de beringela, ricotta salgada e tomate, uma delícia

Dia 4:

Na manhã seguinte visitámos o Teatro Grego ou Teatro Antico di Taormina, com uma localização privilegiada com vista para o mar e eventualmente para o Etna, se não houvesse nuvens… Daí também se avista o Castello di Taormina e a Igreja Madonna della Rocca, numa outra colina, que não tivemos oportunidade de visitar, por falta de tempo.

De Taormina seguimos para Catania, cerca de uma hora de viagem desde Taormina. Catania é a segunda maior cidade da ilha, destruída por um terramoto em 1693 e depois reconstruída, fazendo com que o seu centro histórico seja mais “novo”. Com o Etna como vizinho, foi óbvio reconstruir a cidade com pedra vulcânica. Ainda assim há algumas excepções que resistiram ao terramoto como o Teatro Romano, primeira coisa que visitámos, a caminho da Piazza del Duomo, onde se encontra a Fonte do Elefante, símbolo da cidade, a catedral e a Porta Uzeda, todos em pedra vulcânica. Continuámos pela Via Etnea, passámos a Piazza Università e chegámos à Piazza Stesicoro onde se encontram os vestígios de um antigo anfiteatro romano, abaixo do nível da rua, possíveis de visitar. Já com a nossa anfitriã dessa noite, também couchsurfer, caminhámos pela Via dei Crociferi em direcção ao Castelo Ursino, mas já chegámos depois de fechar, pelo que só pudemos ver por fora, algo que não me maravilhou. Como boas hóspedes convidá-mos a nossa anfitriã e o seu namorado a jantar numa Trattoria da cidade e eu tive de pedir novamente Pasta alla Norma – mas nunca voltei a comer uma tão boa como a primeira! Este foi o único dia que passámos em Catania, que não deu, novamente, para ver tudo  – o ideal seria mais um ou dois dias na Sicilia do que o planeado.

Dia 5:

No quinto dia despedi-me da Maria e continuei sozinha para Agrigento, uma viagem de cerca de 2h de autocarro, para visitar o Vale dos Templos. No caminho consegui finalmente ver o Etna sem nuvens e, surpresa, estava cheio de neve! Depois de chegar à cidade, há vários autocarros que seguem para o vale, a meio caminho entre a cidade e o mar. Este sítio arqueológico é bastante diferente de todos os que já visitei. Em vez de uma cidade encontramos vários templos espalhados, sem grande conexão entre eles. Ainda assim é impressionante, dos doze grandes templos há um quase completo e outro perto disso! Ainda tinha pensado visitar a cidade mas entretanto começou a chover a potes e como o autocarro para Palermo era a cada duas horas, decidi apanhar o das 16h30. O autocarro leva duas horas a atravessar a ilha de sul a norte. Em Palermo esperava-me um amigo da Sofia, couchsurfer, pois ela já não se encontrava na cidade.

Dia 6:
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De volta a Palermo, depois de Taormina, Catania e Agrigento, visitei a igreja de San Giovanni degli Eremiti, de arquitectura normanda, outra vez com as típicas cúpulas vermelhas. Chamam-lhe igreja mas neste momento é mais uma ruína. Depois visitei o Palácio Real, mesmo ao lado, e a sua Capela Palatina, maravilhosamente detalhada de dourados – toda esta manhã é de visita obrigatória caso vão a Palermo!
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Almocei na Antica Focacceria San Francesco, do outro lado da cidade, um lugar turístico onde se vende a típica comida de rua. Comi uma arancina alla norma e novamente pane, panelle e crocchè. No dia seguinte regressei para comer uma fatia de setteveli, um bolo com sete camadas de chocolate, estou-me a babar a escrever isto 🙂 Mas eles vendem tudo: sfincione (pizza siciliana), setteveli, cassata, arancine, panelle e crocché… À tarde visitei a “igreja” de Santa Maria dello Spasimo, que não foi uma igreja durante muito tempo, tendo já sido o primeiro teatro público de Palermo, um hospital de leprosos, serviu como armazém de obras de arte salvas dos bombardeamentos durante a guerra e agora sendo um palco para concertos ao ar livre. Como já estava deste lado da cidade decidi visitar o Horto Botânico, um bonito jardim com algumas esculturas e pequenos edifícios como a Villa Giulia. Depois disso um agradável passeio pela marginal, vantagens de quem viaja com tempo, em que de facto se pode parar e absorver a energia da cidade!
 
Dia 7:
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No meu último dia visitei as catacumbas, que eu pensava que era uma “cidade” subterrânea, mas que afinal era só um depósito de corpos preservados (alguns demasiado bem, parecia que só estavam a dormir)! Um pouco arrepiante mas interessante de ver. Não poderia deixar Palermo sem subir à cobertura da catedral, que tem uma boa vista e o único sítio de onde se pode ver a cidade desde cima. Próxima paragem, a igreja dos Quattro Canti, uma linda igreja com imensos pormenores. E finalmente o Palazzo Abatellis, a Galeria de Arte Regional da Sicilia, desenhada pelo arquitecto Carlo Scarpa. O meu voo saía neste dia por isso lá tive de ir para o aeroporto para apanhar o meu voo de regresso a Pisa. Este aeroporto é super bem localizado, mesmo entre as montanhas e o mar e durante o voo pude ver as ilhas da Sardenha e da Córsega!

Resumo:

Dia 1, Palermo: o mercado de Vucciria, a Porta Felice, o golfo de Palermo, a porta la Cala, o Loggiato di San Bartolomeo e a Igreja de San Domenico. Quattro Canti, o Teatro Massimo, o Teatro Politeama, a Piazza Pretoria, San Cataldo, a Igreja della Martorana, a Porta Nuova, a catedral. O mercado de Ballarò e a Casa Professa.

Dia 2, Palermo: Praia de MondelloMonreale, Taberna Azzurra

Dia 3, Taormina: dar um mergulho na praia, a Isola Bella, a Porta Messina, os Giardini della Via Comunale, a Piazza IX Aprile, a Piazza Duomo, a Porta Catania.

Dia 4, Taormina e Catania: o Teatro Grego ou Teatro Antico di Taormina, [o Castello di Taormina e a Igreja Madonna della Rocca.] O Teatro Romano di Catania, a Piazza del Duomo, a Fonte do Elefante, a catedral e a Porta Uzeda. A Via Etnea, a Piazza Stesicoro com o anfiteatro romano Via dei Crociferi e o Castelo Ursino.

Dia 5, Agrigento: O Vale dos Templos.

Dia 6, Palermo: igreja de San Giovanni degli Eremiti, o Palácio Real, a capela Palatina, a Antica Focacceria San Francesco, a igreja de Santa Maria dello Spasimo, o Orto Botanico, as muralhas da cidade

Dia 7, Palermo: catacumbas, cobertura da catedral, igreja de Quattro Canti e o Palácio Abatellis

*Obrigatório ver a negrito