O roteiro que vos deixo hoje não é exactamente o que eu fiz, uma vez que eu integrei a Guatemala numa viagem entre Mérida e a Cidade do México e só estive no país sete dias. Esta é a minha sugestão de 10 dias para quem viaja directamente para este país, ou para quem o quer integrar numa viagem pela América Central.

Dia 1 – Chegada à ilha de Flores, o melhor sítio para ficar para visitar as ruínas maias de Tikal, onde se encontra a pirâmide mais alta desta cultura, com 72 metros de altura. As visitas às ruínas são geralmente feitas ou de madrugada ou ao pôr do sol, para evitar as horas de maior calor. Para chegar a Flores pode apanhar um autocarro desde a Cidade de Guatemala (cerca de 8 horas de viagem), ou voar entre as duas cidades. Pode também atravessar desde o Belize, cuja capital está apenas a 3horas e meia ou, como eu fiz, apanhar um autocarro em Frontera Corozal, na fronteira com o México, depois de visitar as ruínas de Yaxchilan, no rio Usumacinta. Em qualquer um dos casos negocie com agentes de viagem. Muitas vezes é a única forma de viajar e se regatear bem a viagem pode ficar a um óptimo preço! Nós logo em Flores organizámos todos os transportes até ao regresso ao México, o que poderá fazer ficar a viagem mais barata, pois o agente pode fazer um desconto de “pacote”.

(dormida em Flores – nós ficámos no Hostel Yaxha, que recomendo. Tem também um café no piso térreo que vende refeições, embora o restaurante na porta ao lado tenha mais opções a um preço mais acessível)

Dia 2 – Visita a Tikal de madrugada. É possível visitar as ruínas sozinho, mas uma vez que a cidade maia se encontra no meio da selva, a cerca de uma hora de Flores, nós marcámos a visita com um guia, que nos levou, acompanhou durante a visita (num grupo de cerca de 20 pessoas) e nos trouxe de volta a Flores. Assim, não só aprendemos bastante sobre a cultura, a arquitectura e a redescoberta da cidade, como o guia ainda nos mostrou alguma da fauna que podemos encontrar aí – macacos, aves de todas as espécies e muitas que nunca tinha visto na vida e até tarântulas, que ele carinhosamente passou de mão em mão.

A chegada de volta a Flores é por volta do meio dia e ainda temos o resto do dia para visitar a pequena ilha e descansar um pouco, uma vez que acordámos cedo. É possível tomar banho no lago, mas nós não tivemos essa oportunidades pois estava a chover – tanto que partes da ilha estavam inundadas. Também é possível dar um passeio de barco.

(dormida em Flores)

Dia 3 – Infelizmente na Guatemala não há autocarros nocturnos por isso há que gastar tempo em viagem. Tínhamos marcado logo para de manhã o transporte que nos ia levar a Lanquin. Como foi através de uma agência, a forma mais segura e barata de viajar, o transporte é muito cómodo e seguro, mesmo coisa para turistas. São cerca de 6h30 de caminho, por isso chegámos a Lanquin a meio da tarde. A van deixou-nos na praça principal e fomos logo “atacados” por guatemaltecos esperançosos de turistas que não planeiam e ainda não sabem onde ficar. Não foi o nosso caso, nós íamos ficar no fantástico Zephyr River Lodge, que me foi sugerido pelas minhas roomies francesas, que já lá tinham estado. Uma carrinha de caixa aberta do hotel foi-nos buscar ao centro, todos a bordo e lá fomos. Este hostel é bom demais para ser verdade! Com uma piscina com vista directa para o vale, que foi onde passámos o resto da tarde, várias cabaninhas todas com uma vista fantástica para a selva e a um preço muito acessível (~12€ por noite no dormitório)! Um senão é que estamos no meio do nada, por isso fomos forçados a jantar no hostel, o que saiu mais caro que nos outros dias. E apesar de estarmos na Guatemala a maior parte do staff não fala espanhol, porque é pessoal que só lá está estacionado uns meses, a poupar dinheiro para continuar viagem.

(dormida em Lanquin)

Dia 4 – Visita a Semuc Champey, considerado Monumento Natural. Semuc Champey significa “Onde o rio se esconde na montanha” e é uma formação rochosa que cobre o leito do rio Cahabón, uma espécie de “ponte de pedra natural” que segue por 300 metros e forma piscinas naturais e pequenas cascatas de água turquesa, oriunda das montanhas que delimitam este vale. O acesso ao parque é pago (50 quetzales) e tem dois trilhos, um directo para as “piscinas” e outro de 1,2km que sobe a montanha para termos uma vista aérea de uma das coisas mais bonitas que vão ver na vida! Um vez que Lanquin ainda fica a 10km nós marcámos o tour com o hostel e por isso tivemos direito a guia. Tivemos a sorte de ser m grupo pequeno, de apenas quatro, e o nosso novo amigo Rafael levou-nos de piscina em piscina, mostrou-nos os escorregas naturais, as grutas escondidas e ainda deu uns bons mergulhos connosco. O parque tem uma área com uns caixotes de madeira onde se podem deixar as mochilas e a roupa, levem um cadeado. De regresso a Lanquin o Rafael levou-nos a comer num restaurante improvisado no meio da montanha. Duas senhoras, alguns grelhadores, umas mesas de madeira e comida óptima. A comida guatemalteca é muito parecida com a mexicana.

Regressámos a Lanquin e pedimos para ficar na vila pois queríamos ir ao Cyber Café – o hostel não tem wifi. Aproveitámos para passear um pouco, visitar a igreja, observar os locais e depois regressámos para o hostel para passar o resto da tarde na piscina e, já depois de o sol se pôr, passámos para o jacuzzi.

(dormida em Lanquin)

Dia 5 – Viagem de Lanquin para Antigua. Geralmente a viagem demora entre 7 e 8 horas. Nós tivemos o azar de apanhar um acidente nas montanhas e de ficarmos parados por horas e depois quando finalmente conseguimos passar e chegámos à Cidade de Guatemala, onde íamos deixar algumas pessoas, apanhámos a hora de ponta. Total, 10 horas de caminho… Chegámos a Antigua já era de noite e chovia a potes! Ficámos no hostel Tropicana, mesmo no centro, e gostámos muito, especialmente porque tínhamos marcado duas camas nos seus imensos dormitórios e eles puseram-nos num quarto privado, pois estavam cheios!

Nota: decidimos não visitar a capital porque muita gente nos disse que não era muito seguro e tinha pouco para ver, para além de que é uma das cidades mais poluídas do mundo.

(dormida em Antigua)

Dia 6 – Perto de Antigua há quatro vulcões (Acatenango, Fogo, Água e Pacaya), sendo que dois ainda estão activos (Fogo e Pacaya). Como nós não tínhamos muito tempo decidimos fazer apenas um tour de meio dia, a subida ao vulcão Pacaya, de onde se vêm os outros três, mas há uma outra excursão, essa de dois dias, em que se sobre ao Acatenango, dorme-se lá e regressa-se no dia seguinte. Em qualquer hostel ou agência de viagem podem pedir informações sobre estas excursões.

À tarde visitámos a belíssima Antigua, paragem obrigatória para quem vai à Guatemala. Típica cidade colonial de casas baixas e coloridas povoada de guatemaltecos que não aderiram à moda globalizada e que acrescentam mais cor à cidade com as suas mantas e vestidos. Antigua tem várias lojas de souvenir enormes, a preços muito acessíveis, embora no destino seguinte, o lago de Atitlán, também se encontrem os mesmos artigos a preços ainda mais acessíveis (mais tarde no México vi muita coisa que comprei no país vizinho). Do que mais gostei de Antigua foi da praça central, do famoso arco da 5ª Avenida Norte e do Parque Tanque la Unión, mas toda a cidade é de se deambular.

(dormida em Antigua)

Dia 7 – Viagem de Antigua para Panajachel, a maior cidade no lago de Atitlán. O lago é considerado dos lugares mais tranquilos do mundo e perto deste ficam dois vulcões, o de Atitlán e o de San Pedro, tornando as imagens do lago lindíssimas. Como só íamos ficar uma noite no lago marcámos um quarto na Hospedaje El Viajero, uma pequena empresa familiar que nos recebeu muito bem e a com uma localização óptima, pois está na rua principal mas mais retirado, de forma a não se ouvir o reboliço nocturno. Mas a maior parte dos turistas que visitam o lago procuram destinos mais sossegados, uma vez que Panajachel, ou “Pana”, como é carinhosamente conhecido, é apenas lugar de chegada e partida e onde, por isso, há mais confusão. Os lugares mais procurados são San Pedro e San Juan La Laguna, lugares onde turistas e indígenas habitam quase sem destoar; San Marcos La Laguna, local conhecido para meditação, centros de yoga e espirituais, massagens e drogas leves, e…

Santiago Atitlan foi o destino que escolhemos visitar, uma vez que só tínhamos meio dia. É aqui que se encontra a maior comunidade à beira do lago, e é conhecida pelo seu culto a Moximón, um ídolo formado por fusão de deidades maias, santos católicos e lendas de conquistadores. É também aqui que se encontra o maior mercado de artesanato e sendo este o nosso (mas não o vosso) último dia em Guatemala, quisemos ir até lá para levar umas últimas recordações. O atravessamento do lago em lancha demora cerca de 40min. Antes do anoitecer regressámos a Panajachel, onde jantámos.

(dormida no Lago Atitlán)

Dia 8 e 9 – Nós infelizmente tivemos de voltar para o México, com uma carrinha que nos levou directamente para San Cristóbal de las Casas, mas se pudéssemos teríamos ficado mais dois dias no lago. Não deixem de fazer uma visita a Chichicastenango, a cidade conhecida por ter o mercado mais colorido do mundo, não muito longe de Panajachel (só há mercado duas vezes por semana).

Dia 10 – Regresso a casa pelo aeroporto da Cidade de Guatemala, ou incursão pelo México pelo estado de Chiapas, ou ainda o início da descida pela América Central. A decisão é vossa!